O papel da mulher no mercado de trabalho
hoje ainda é subjugado, acham que elas não dão conta de aguentar o dia a dia da
empresa, que sabem menos que os homens da equipe e por isso, recebem menos que
eles. Independente da mulher ter graduação ou não, ela ganha menos do que um homem
que esteja no mesmo cargo, uma trabalhadora com
salário médio recebe 71,3% do rendimento do homem.
De acordo com o IBGE de 2010 apenas 40%
da população feminina trabalha com carteira assinada, enquanto essa proporção
para os homens ficou em 50% e no topo do ranking de desemprego, são 1 milhão de
mulheres desempregadas enquanto para os homens na mesma situação, apenas 779
mil.
Gráfico: CAU/BR 2013
A jovem de 26 anos, Daiane Zito, que se
inseriu no mercado de trabalho aos 14, sofreu com a pressão e desigualdade em
uma empresa que majoritariamente era um ambiente masculino.
Entrou no mercado de trabalho com a ajuda do
ESPRO, onde ia todos os dias depois da sua aula ter o curso de técnicas
administrativas com duração de 6 meses, após esse tempo eles encaminhavam os
alunos para algumas empresas para fazer testes como menor aprendiz. Ela ficou 9
meses na empresa Câmara de Valores Mobiliários e quando chegou no último ano do
ensino médio, resolveu apenas voltar a estudar. Em setembro de 2010 o ESPRO
entrou novamente em contato com ela e foi nessa entrevista que tudo se iniciou,
aos 17 anos na multinacional.
Foto: Arquivo pessoal Daiane.
Daiane entrou na empresa junto com
mais 3 meninas e elas tinham uma chefe mulher que trabalhava lá há 30 anos. “Como
era ‘engraçado’ ter mulheres tão competentes e estar como secretária, sendo que
eram mais competentes que muitos homens” ela foi percebendo isso conforme o
tempo e comenta que isso foi bom para perceber a importância da mulher no
mercado de trabalho.
Enquanto era menor aprendiz as pessoas
da empresa tinham um cuidado com elas; “tínhamos conversas esporádicas para
saber se tinha sofrido algum assédio, algum problema” e tudo isso para ela, pareceu
ser um ensaio falso do que realmente era o trabalho.
Quando mudou de setor, seu chefe virou
um homem 3 vezes mais velho que ela, que a chamava de “menina” sempre que podia
para desvalorizar o seu trabalho. Assim que descobriu sobre a diferença de
salário, por erro do RH, recebeu um e-mail por engano com os salários dos
homens e viu o quão gigante era a diferença entre seus salários.
Com isso sua autoestima caiu, ficou
pensando o que estava fazendo de errado no trabalho e desanimou com tudo que
acontecia em sua volta. Isso aconteceu na mesma época que o fim do seu namoro,
então todas as pessoas do ambiente de trabalho pensavam que a tristeza dela era
por causa disso, mas na verdade eram acúmulos do que passava lá.
Daiane adquiriu transtornos de
ansiedade, passou por diversas humilhações na empresa, o que acarretou a sua saída
de lá. “Quando eu contei para o Milton, o diretor, sobre os transtornos” isso a
ajudou a ir procurar ajuda. É preciso muitas Daianes em cada mulher para
superar esses estereótipos e seguir em frente.


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