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sábado, 18 de março de 2017

MULHER SOFRE PRESSÃO PSICOLÓGICA EM AMBIENTE DE TRABALHO

O papel da mulher no mercado de trabalho hoje ainda é subjugado, acham que elas não dão conta de aguentar o dia a dia da empresa, que sabem menos que os homens da equipe e por isso, recebem menos que eles. Independente da mulher ter graduação ou não, ela ganha menos do que um homem que esteja no mesmo cargo, uma trabalhadora com salário médio recebe 71,3% do rendimento do homem.

De acordo com o IBGE de 2010 apenas 40% da população feminina trabalha com carteira assinada, enquanto essa proporção para os homens ficou em 50% e no topo do ranking de desemprego, são 1 milhão de mulheres desempregadas enquanto para os homens na mesma situação, apenas 779 mil.

Gráfico: CAU/BR 2013

A jovem de 26 anos, Daiane Zito, que se inseriu no mercado de trabalho aos 14, sofreu com a pressão e desigualdade em uma empresa que majoritariamente era um ambiente masculino.

 Entrou no mercado de trabalho com a ajuda do ESPRO, onde ia todos os dias depois da sua aula ter o curso de técnicas administrativas com duração de 6 meses, após esse tempo eles encaminhavam os alunos para algumas empresas para fazer testes como menor aprendiz. Ela ficou 9 meses na empresa Câmara de Valores Mobiliários e quando chegou no último ano do ensino médio, resolveu apenas voltar a estudar. Em setembro de 2010 o ESPRO entrou novamente em contato com ela e foi nessa entrevista que tudo se iniciou, aos 17 anos na multinacional.

Foto: Arquivo pessoal Daiane.

Daiane entrou na empresa junto com mais 3 meninas e elas tinham uma chefe mulher que trabalhava lá há 30 anos. “Como era ‘engraçado’ ter mulheres tão competentes e estar como secretária, sendo que eram mais competentes que muitos homens” ela foi percebendo isso conforme o tempo e comenta que isso foi bom para perceber a importância da mulher no mercado de trabalho.

Enquanto era menor aprendiz as pessoas da empresa tinham um cuidado com elas; “tínhamos conversas esporádicas para saber se tinha sofrido algum assédio, algum problema” e tudo isso para ela, pareceu ser um ensaio falso do que realmente era o trabalho.

Quando mudou de setor, seu chefe virou um homem 3 vezes mais velho que ela, que a chamava de “menina” sempre que podia para desvalorizar o seu trabalho. Assim que descobriu sobre a diferença de salário, por erro do RH, recebeu um e-mail por engano com os salários dos homens e viu o quão gigante era a diferença entre seus salários.

Com isso sua autoestima caiu, ficou pensando o que estava fazendo de errado no trabalho e desanimou com tudo que acontecia em sua volta. Isso aconteceu na mesma época que o fim do seu namoro, então todas as pessoas do ambiente de trabalho pensavam que a tristeza dela era por causa disso, mas na verdade eram acúmulos do que passava lá.

Daiane adquiriu transtornos de ansiedade, passou por diversas humilhações na empresa, o que acarretou a sua saída de lá. “Quando eu contei para o Milton, o diretor, sobre os transtornos” isso a ajudou a ir procurar ajuda. É preciso muitas Daianes em cada mulher para superar esses estereótipos e seguir em frente.

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