A vida do trabalhador no Brasil é um tanto quanto contraditória. De um lado, a aposentadoria é considerada um direito seu, uma conquista depois de uma vida de trabalho, por outro lado, o aposentado sofre muitos tipos de preconceitos por ser considerado um inválido, e portanto um inútil para o trabalho.
Aos 55 anos, Maria Luzia da Conceição Silva passa por um dos maiores desafios de sua vida, se aposentar. Assim como muitos de brasileiros, a ex auxiliar de valvulado e guardete enfrenta um processo árduo envolvendo sua antiga empresa, uma grande fabricante de plástico.
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| Maria Luzia (Arquivo Pessoal) |
Mãe de quatro filhos, Maria Luzia foi demitida faltando apenas dois anos para se aposentar. A empresa em que trabalhava decidiu demiti-la sem nenhum tipo de justificativa ou aviso prévio, Luzia, como prefere ser chamada, decidiu procurar saber sobre seus direitos e foi informada que no Brasil existem algumas normas coletivas que detém o que se chamamos de estabilidade pré-aposentadoria. Ou seja, um período fixado (de 12 à 24 meses anteriores à aposentadoria) em que nenhum trabalhador registrado em carteira pode ser dispensado sem justa causa. Sabendo de tudo isso, decidiu procurar seus direitos e hoje, seu processo encontra-se em tramitação na justiça do Estado de São Paulo e Luzia está muito confiante em relação ao resultado: “Espero que o resultado seja positivo, creio que não recebi os meus direitos adequadamente! Preciso de uma resposta urgente quanto a tudo isso.” E Luzia está certa, entrar na justiça nestes casos é o mais indicado segundo especialistas em direito trabalhista. Por burlar essa regra, o empregador tem o dever de gerar uma indenização pelo período de estabilidade.
A ex guardete ainda diz que por ter sofrido muito preconceito na empresa sua auto estima segue abaixo do normal: “Como mulher enfrentei muito preconceito por parte de homens e também por parte de todos pois fui promovida por não conseguir mais exercer minha antiga profissão”. Emocionada e nervosa, Luzia conta que sofre até hoje com problemas que a profissão de auxiliar de valvulado a causou, dentre eles, tendinite e desgaste total da cartilagem.
Luzia faz parte da estatística de milhões de brasileiros que lutam para adquirir o direito que lhe foi prometido desde o seu primeiro dia de trabalho.

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