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terça-feira, 21 de março de 2017

APOSENTADORIA: UM DIREITO CADA VEZ MAIS DIFÍCIL DE OBTER

A vida do trabalhador no Brasil é um tanto quanto contraditória. De um lado, a aposentadoria é considerada um direito seu, uma conquista depois de uma vida de trabalho, por outro lado, o aposentado sofre muitos tipos de preconceitos por ser considerado um inválido, e portanto um inútil para o trabalho.

Aos 55 anos, Maria Luzia da Conceição Silva passa por um dos maiores desafios de sua vida, se aposentar. Assim como muitos de brasileiros, a ex auxiliar de valvulado e guardete enfrenta um processo árduo envolvendo sua antiga empresa, uma grande fabricante de plástico.
Maria Luzia (Arquivo Pessoal)
Mãe de quatro filhos, Maria Luzia foi demitida faltando apenas dois anos para se aposentar. A empresa em que trabalhava decidiu demiti-la sem nenhum tipo de justificativa ou aviso prévio, Luzia, como prefere ser chamada, decidiu procurar saber sobre seus direitos e foi informada que no Brasil existem algumas normas coletivas que detém o que se chamamos de estabilidade pré-aposentadoria. Ou seja, um período fixado (de 12 à 24 meses anteriores à aposentadoria) em que nenhum trabalhador registrado em carteira pode ser dispensado sem justa causa. Sabendo de tudo isso, decidiu procurar seus direitos e hoje, seu processo encontra-se em tramitação na justiça do Estado de São Paulo e Luzia está muito confiante em relação ao resultado: “Espero que o resultado seja positivo, creio que não recebi os meus direitos adequadamente! Preciso de uma resposta urgente quanto a tudo isso.” E Luzia está certa, entrar na justiça nestes casos é o mais indicado segundo especialistas em direito trabalhista. Por burlar essa regra, o empregador tem o dever de gerar uma indenização pelo período de estabilidade.

A ex guardete ainda diz que por ter sofrido muito preconceito na empresa sua auto estima segue abaixo do normal: “Como mulher enfrentei muito preconceito por parte de homens e também por parte de todos pois fui promovida por não conseguir mais exercer minha antiga profissão”. Emocionada e nervosa, Luzia conta que sofre até hoje com problemas que a profissão de auxiliar de valvulado a causou, dentre eles, tendinite e desgaste total da cartilagem.
Luzia faz parte da estatística de milhões de brasileiros que lutam para adquirir o direito que lhe foi prometido desde o seu primeiro dia de trabalho.



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