A cidade de São Paulo é vista por muitos imigrantes de
países mais pobres da América latina como um “berço” de oportunidades. Assim é
o caso de Emerson Lolli, 39 anos, peruano e residente no Brasil há 12 anos.
Sua ex esposa ainda grávida decidiu ir embora
do Peru com o desejo de cursar Farmácia em uma faculdade de São Paulo. Ao
chegar no Brasil uma nova etapa se iniciou em sua vida, o nascimento de Inara
sua filha que hoje tem 12 anos.
Em sua cadeira de
trabalho, com o olhar distante ele se recorda do passado e conta que seu
primeiro emprego recém-chegado na capital paulista foi dar aulas particulares de
espanhol. Para divulgar suas aulas colava cartazes com número de telefone em
postes da cidade.
Posteriormente em um
anúncio de jornal viu a vaga de professor em uma escola de idiomas e com isso lecionou
por 6 meses. Uma de suas maiores dificuldades no início foi lidar com o idioma,
ele ri e diz: ”Eu só sabia falar Bom dia, Boa tarde, Boa noite e tudo bem o
resto eu aprendi com o tempo aqui no Brasil”.
Após os seis meses em
sala de aula encontrou uma oportunidade de call center receptivo da Argentina o
que considerou uma facilidade devido ao idioma, trabalhou sempre em dois empregos
para sustentar a casa. Se recorda da rotina puxada quando trabalhava das 22hr as 6hr da manhã em uma empresa de telemarketing e depois ia pra casa ver a
filha e descansar, e das 15hr às 21hr iniciava uma nova jornada de trabalho
agora como monitor de telemarketing.
Emerson considera-se um imigrante de sorte
pois conseguiu boas oportunidades em sua inserção no mercado de trabalho
brasileiro, ter conseguido visto de permanência o ajudou a trabalhar registrado
o que difere de muitos que não possuem essa documentação e acabam sem carteira
assinada. Mas conta que não passou despercebido pelo preconceito, pois já ouviu
de uma mulher: ”Você está roubando emprego dos brasileiros”
Em sua concepção hoje
em dia as coisas estão mais difíceis, pois conta que há 12 anos atrás ter um
outro idioma era algo raro e hoje com grande acesso à educação, a concorrência
aumentou.
Atualmente é
supervisor de uma empresa de Call center liderando 35 pessoas, neste cargo está
a três anos e devido a carga horária possui somente este emprego. Em sua rotina assume
os papéis de: chefe, dono de casa, namorado e “paizão”. Pois lava, passa, cozinha
e leva sua filha todos os dias a escola.
Questionado se
voltaria a morar no Peru diz que só o tempo dirá, mas que não pretende por
agora, pelas condições do Brasil serem melhores com relação a trabalho pois no
Peru não se tem direito a benefícios como: Vale alimentação e Vale transporte, e
o salário deve ser divido entre as despesas. Ele conta que encontrou
estabilidade e se sente feliz com o caminho que conquistou.

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