Em meio a todas as dificuldades passadas por deficientes no Brasil, a área intelectual nunca foi vista com os mesmos olhos e cuidados que se tem com as inúmeras deficiências físicas ou motoras. A inclusão de portadores de Autismo e Down na sociedade e no mercado de trabalho, o acesso à educação especializada, mas sem a exclusão do portador da doença são os principais desafios passados por aqueles que os acompanham. As causas dessas dificuldades e a forma como tratam essas questões influenciam em um todo no quão dependente essas pessoas possam vir a se tornar pelo resto de suas vidas.
De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) estima-se que 2 milhões de brasileiros possuam autismo e cerca de 300 mil pessoas no país a Síndrome de Down. As maiores dificuldades enfrentadas por pessoas inseridas nessas estatísticas são a de se encontrar emprego, escola inclusiva e um sistema de saúde que colabore para seu tratamento.
O AUTISMO
É um distúrbio permanente (a criança nasce e cresce com Autismo) que afeta o desenvolvimento neurológico. É caracterizada pelo prejuízo na comunicação, na interação social e no comportamento. Quanto antes for diagnosticado, maior a possibilidade dos processos de intervenções darem certo.
A maior dificuldade do autista é socializar com pessoas sem ser do âmbito familiar. Segundo a psicóloga Jenifer Longo, essa característica é o que impede, muitas vezes, um autista de entrar numa empresa."Sem desenvolver suas capacidades, autonomia e interação social, sua inserção no mercado de trabalho fica praticamente impossível, pois eles precisam atender as exigências determinadas pelas empresas, essas que estão cada vez mais criteriosas."
O AUTISMO
É um distúrbio permanente (a criança nasce e cresce com Autismo) que afeta o desenvolvimento neurológico. É caracterizada pelo prejuízo na comunicação, na interação social e no comportamento. Quanto antes for diagnosticado, maior a possibilidade dos processos de intervenções darem certo.
Para o fácil acesso da criança autista na educação, a escola tem que disponibilizar atividades diferenciadas, um professor assistente, materiais didáticos adaptados e material alternativo de comunicação. Por lei, a escola particular está proibida de cobrar uma taxa quando for acionado um professor assistente e nenhuma escola pode negar matrícula do aluno com autismo, de acordo com com o artigo 8º, I da Lei n. 7.853/89.
Ela também comenta que a culpa não está só na dificuldade social que eles possuem, mas que isso é reflexo da fase escolar, que apresenta barreiras de aprendizagem. Seria preciso reestruturar o plano pedagógico e assim conseguir, de fato, uma inclusão.
Para o autista, estar em ambiente, tanto escolar como profissional, que o estressem, só piora o grau do seu distúrbio."Se em um ambiente organizacional o trabalho em equipe, os relacionamentos, e o clima organizacional estão comprometidos e se isso é um ponto estressante dentro de uma empresa, acaba comprometendo e muito na inclusão social do autista no ambiente de trabalho. Não é saudável para o autista ficar neste ambiente.", complementa a psicóloga.
O que tem ajudado algumas famílias em que tem crianças com o transtorno, é que o Sistema Único de Saúde (SUS) passou a oferecer o primeiro remédio para tratar os sintomas do autismo. O medicamento se chama Risperidona e tende a diminuir as crises de irritação, agressividade e agitação, comuns em pessoas com autismo. O remédio, entretanto, demora cerca de 180 dias para ser disponibilizado para as famílias, após a comprovação de sua necessidade.
SÍNDROME DE DOWN
Uma doença genética causada quando uma divisão celular resulta em material genético extra do cromossomo 21. Provoca uma aparência distinta, deficiência mental, atrasos no desenvolvimento e pode ser associada a doença cardíaca ou tireoide.
A criança com Síndrome de Down começa a fazer coisas como ficar em pé e controlar o pescoço, num período mais tardio do que outras crianças. Para ajudar nessas questões há uma necessidade que tratamentos como a fisioterapia sejam realizados desde cedo.
A fisioterapeuta Isabelle Heloise Rampim, é especializada em Síndrome de Down pela Centro de Estudos e Pesquisas Clínicas de São Paulo (CEPEC ), mesmo lugar em que trabalha há 10 anos. O tratamento fisioterapêutico é necessário para ajudar a criança a estabilizar seus movimentos. Isabelle explica como é o grau do tratamento: "Elas frequentam a terapia pelo menos uma vez na semana, dependendo da fase a gente intensifica ou reduz essa freqüência. A alta existe, mas somente quando a criança já está apta pra vida."
O que muita famílias procuram é que o SUS disponibilize essa forma de tratamento. Por direito, o Estado deveria solicitar o serviço com rapidez, porém a fila de espera é enorme, acarretando a procura pela rede particular.
Ana e Carlos pais da Ana Beatriz
O maior medo das famílias que recebem uma criança com essa deficiência é o preconceito que vão encontrar fora de casa e a dificuldade com a aprendizagem. A professora e mãe de Benício, portador da Síndrome de Down, Patrícia de Carvalho, comentou que seu maior medo era com a aprendizagem do filho. Ele estuda na escola em frente a sua casa, onde é o único com a Síndrome, e que não oferece nenhuma forma de inclusão. Ana e Carlos comentaram que também tinham um medo particular, que era a hipotonia, mas a psicóloga que acompanhava eles aconselhou "então, acho que vocês tem que ter mais medo da questão das características físicas, que é o que vai gerar mais dor de cabeça digamos assim, na questão do preconceito."
Muitas vezes as famílias, principalmente mães, tem de abrir mão de seu emprego e da sua vaidade para dar um conforto e auxílio ainda maior para o filho, mesmo ele já estando na fase adulta. André, que tem uma irmã com portadora da deficiência, contou que os pais optaram por deixar Helena com convênio e coloca-lá em uma escola municipal. "Acredito que eles fizeram essa parceria com a APAE exatamente por não terem tutor, mas eu tenho o conhecimento que ela tem esse direito."
Thais, que também tem uma irmã com a síndrome, comentou sobre o SUS e o tratamento que eles deveria disponibilizar para essa deficiência. "Eu percebo que falta muita atenção com jovens e adutlos com necessidades especiais, porque a gente vê muito espaço pra criança, mas depois que eles crescem, parece que vira terra de ninguém", a irmã de Thais que tem apenas 24 anos e depende da saúde pública vê essa lentidão.
Tendo em vista que o primeiro caso de autismo é datado de 1930, muito depois da Síndrome de Down (entre 1864 e 1866), é possível notar que ainda há muito a se descobrir sobre a doença. Mas não há como negar que muito já foi feito para melhorar a vida daqueles que possuem ambos os transtornos.
O número de pessoas que possuem Síndrome de Down e Autismo no país faz com que estas doenças sejam consideradas normais. Hoje em dia a inserção destes pacientes na sociedade é cada vez mais alta e eles estão cada vez mais sendo vistos e tratados como pessoas normais. O número de instituições existentes para amparar familiares, portadores e transmitir informações para sociedade também vem aumentando. Só na Grande São Paulo, existem cerca de 8 instituições para tratar sobre Síndrome de Down, e cerca de 7 para o Autismo.
Pode-se dizer, então, que o que ainda falta na sociedade é uma maior visibilidade para as doenças mentais. Ao invés de generalizá-las em uma grande coisa, deve-se tratá-las de forma individual. Somente dessa forma, cada doença receberá sua devida pesquisa e atenção e assim será possível continuar melhorando a vida daqueles que convivem com elas.
Tendo em vista que o primeiro caso de autismo é datado de 1930, muito depois da Síndrome de Down (entre 1864 e 1866), é possível notar que ainda há muito a se descobrir sobre a doença. Mas não há como negar que muito já foi feito para melhorar a vida daqueles que possuem ambos os transtornos.
O número de pessoas que possuem Síndrome de Down e Autismo no país faz com que estas doenças sejam consideradas normais. Hoje em dia a inserção destes pacientes na sociedade é cada vez mais alta e eles estão cada vez mais sendo vistos e tratados como pessoas normais. O número de instituições existentes para amparar familiares, portadores e transmitir informações para sociedade também vem aumentando. Só na Grande São Paulo, existem cerca de 8 instituições para tratar sobre Síndrome de Down, e cerca de 7 para o Autismo.
Pode-se dizer, então, que o que ainda falta na sociedade é uma maior visibilidade para as doenças mentais. Ao invés de generalizá-las em uma grande coisa, deve-se tratá-las de forma individual. Somente dessa forma, cada doença receberá sua devida pesquisa e atenção e assim será possível continuar melhorando a vida daqueles que convivem com elas.
Reportagem: Beatriz França
Fotos: Isadora Gonçalves







