O Autista como trabalhador não tem tanto espaço e
oportunidades, e são pessoas que são ótimas para trabalhos em equipe, pois são
concentradas e organizadas. Porém não
são excelências para trabalhar sob pressão. O nível de exclusão social dos
portadores de Autismo vem aumentando a cada ano, pois a fala de convívio e o
preconceito da sociedade vem tomando conta. Isso faz com que o próprio portador
da doença se exclua e se esconda do meio urbano.
Foto: Arquivo pessoal
Há casos em que o autismo é diagnosticado em pessoas apenas quando adultas.Por que em muitos casos a descoberta é tardia?Foto: Arquivo pessoal
Quando crianças os pais notam um comportamento atípico, porém sentimentos como o medo e angustia vem à tona. Com os sinais e o impacto da desconfiança é comum os familiares passarem por um momento de negação. Há um luto devido à perda de uma criança idealizada. A descoberta em si nem sempre é tardia, mas o início do tratamento sim.
Autistas possuem diversas habilidades como: concentração,facilidade em lidar com tecnologia,artes e matemática. Por que em muitos casos as empresas não aproveitam estas habilidades?
A inserção social das deficiências de tipo intelectual são as que mais apresentam dificuldades na interação social, no trabalho em equipe e na autonomia, e é onde se enquadra o autista. Sem desenvolver suas capacidades, autonomia e interação social, sua inserção no mercado de trabalho fica praticamente impossível, pois eles precisam atender as exigências determinadas pelas empresas, essas que estão cada vez mais criteriosas. Os que conseguiram ingressar no mercado de trabalho, infelizmente, fazem parte de apenas uma minoria que conseguiu vencer o preconceito existente. Apesar da imposição da legislação, ainda existem os rótulos e preconceitos em relação as pessoas com alguma deficiência.
Por que os deficientes intelectuais ainda são minorias no mercado de trabalho comparado aos deficientes físicos?
A dificuldade manifestada pelos deficientes intelectuais em se inserir no mercado é indicador de uma realidade excludente. Isso é reflexo da fase escolar que apresenta barreiras de aprendizagem, onde precisa reestruturar o plano pedagógico para conseguir realmente a inclusão desejada no ensino regular. Já como deficientes físicos, como eles possuem a parte cognitiva preservada, reabilita-lo no ambiente de trabalho acaba sendo mais fácil para as empresas.
De acordo com a ONU estima-se que 80% dos adultos com autismo estão desempregados. Qual a razão da inclusão no mercado de trabalho ser tão baixa para este grupo?
Quando a formação do autista não acontece de forma adequada, sem desenvolver suas capacidades, autonomia e interação social, sua inserção no mercado de trabalho fica difícil. Se esta inclusão no ensino regular fosse feita de forma adequada, com estratégias e estruturas que atendessem a todos os envolvidos, o autista chegaria mais preparado para o mercado de trabalho, com suas habilidades e competências desenvolvidas, além de uma melhor interação social. Se em um ambiente organizacional o trabalho em equipe, os relacionamentos, e o clima organizacional estão comprometidos e se isso é um ponto estressante dentro de uma empresa, acaba comprometendo e muito na inclusão social do autista no ambiente de trabalho. Não é saudável para o autista ficar neste ambiente.
Existe emprego certo para autista?
Não! Cada um tem sua potencialidade e seu gosto pessoal, então o autista vai ser bom naquilo que ele gosta e é fissurado. Para termos uma ideia da diversidade e possibilidades, temos o jogador Messi e o cientista Albert Einstein como exemplos.
Contratar deficientes apenas para preencher cotas não é o fundamental, tendo em
vista que não basta ser quantitativo e sim qualitativo. No cenário que vivemos hoje no mercado de trabalho para deficientes você enxerga quantidade e qualidade?
Não! Eu enxergo apenas quantidade para preencher as cotas, infelizmente não são todas as empresas que priorizam a qualidade desses funcionários, essas empresas não enxergam que investir nesses colaboradores também pode trazer crescimento para a empresa
Muitas empresas podem justificar que é difícil contratar deficientes devido a sua
também falta de capacitação profissional. Tendo em vista que a educação para deficientes intelectuais não possui estrutura adequada, a capacitação desses deficientes muitas vezes é sem êxito. Qual sua opinião sobre isso?
Realmente o ensino regular poderia ser melhor, e não apenas pregando uma inclusão que acaba não acontecendo. A atenção aos deficientes deveria ser maior e com mais recursos, só assim será possível romper os obstáculos futuros.
Como deve ser um ambiente de trabalho para pessoas com deficiências intelectuais?
Um ambiente acolhedor, sem estresse, um bom clima organizacional, sem preconceito, respeitando sempre as diferenças e valorizando as potencialidades de todos, independentemente de ter alguma deficiência ou não.
Mesmo lidando com diversos casos em consultórios, teve algum relato de preconceito ou situação que presenciou que mais te chamou atenção?
Sim, um exemplo muito claro relatado é o preconceito existente nas festinhas de aniversário infantil, onde os pais acabam comparando uma criança com a outra.
Qual a maior queixa que pais ou dos próprios autistas relatam à você?
A maior queixa é o próprio preconceito que existe entre os familiares para aceitar que aquela criança é autista, principalmente quando culpam os pais pela deficiência dizendo que foi por não darem atenção a criança, o que é um grande mito!
Como você enxerga as políticas públicas em relação ao Autismo?
São necessárias, pois garantem os direitos do autista e sua inclusão no ensino regular e no mercado de trabalho. Mas Apesar das leis que garantem este direito, ainda existe muito preconceito. É preciso romper paradigmas para que o caminho da inclusão não seja apenas para cumprir aquilo que a legislação impõe, mas sim como um espaço de conquista do qual os autistas consigam mostrar suas capacidades e potencialidades.
Por fim, qual o papel principal da psicologia em relação ao autismo?
É difícil dizer qual é o principal. É auxiliar no desenvolvimento de suas potencialidades, na autonomia,na interação social, na inclusão, na assistência aos familiares. As pessoas não estão preparadas para lidar como autismo, é diferente de uma gripe em que pouco tempo a pessoa está curada.
Entrevista: Alex Brandão

