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segunda-feira, 17 de abril de 2017

"O deficiente precisa de respeito"

 Além de problemas, como as calçadas em condições ruins; falta de  guias rebaixadas; estabelecimentos sem acessibilidade, muitos deficientes não possuem acesso à um meio de transporte. 


  A Prefeitura de São Paulo tem um programa que tenta mudar a situação da locomoção dos PcD's(pessoas com deficiência). O programa Atende é uma modalidade de transporte porta a porta  destinado à deficientes com grau mais severo de dependência. Os portadores de necessidades especiais cadastrados no programa precisam fazer tratamentos, estudar e, até mesmo, sair à lazer aos fins de semana. Para isso, o Atende disponibiliza vans adaptadas para buscá-los  em casa e levá-los ao destino.  

  Mesmo com esse serviço, muitos deficientes ficam sem um meio de transporte para suprir suas necessidades. Para explicar a situação do acesso dos deficientes ao transporte e alguns pontos do programa da prefeitura, o Mídia Jovem procurou um especialista na área. João Nelson Mendonça, 58 anos,  trabalha há 36 anos na SPTrans e está há doze anos no comando da programação do Atende. Ele nos concedeu uma entrevista para elucidar algumas dúvidas. 

João Nelson Mendonça, 58 anos, deficiente físico e supervisor de programação do Atende, em entrevista ao Mídia Jovem. Foto: Dodô Oliveira

Mídia Jovem: Qual a demanda de usuários que utilizam o Atende?   
João Nelson: Nós temos 500  vans  para atender por volta de 5 mil usuários cadastrados.  

Qual o procedimento para se cadastrar no Programa?  
O deficiente precisa de um laudo médico e fazer o requerimento na subprefeitura. Na solicitação deve conter a programação com os horários  de entrada e saída dos  locais  que o requerente necessita; hospitais e escolas, por exemplo.  A van do Atende pode buscar e levar os usuários 45 minutos  antes ou depois do horário solicitado, depende do itinerário do dia.  

Quais os tipos de deficiência que não se enquadram no regulamento do Serviço?  
Somente as pessoas com deficiência visual monocular não podem se cadastrar no Atende. 

Existe algum programa dedicado somente à um tipo de deficiência?  
Nós temos  um carro especial para autistas, que necessitam de um responsável para acompanhá-los. Os usuários que fazem tratamento de  hemodiálise também têm prioridade; não podem de forma alguma ficar sem o atendimento. Mas um serviço somente para um tipo de deficiência, não. 

Qual a margem de pessoas não atendidas e quem são os mais prejudicados 
Já são 1300 pessoas na fila de espera do serviço. As vezes eles reclamam que viram um carro próximo à casa deles, mas não o atendeu. Isso acontece por conta da falta de vans ou por lotação. Teremos que atender 100% dos cadastrados até junho deste ano. Para isso, precisamos de investimento em vans. Os  prejudicados são as pessoas que moram nos extremos das periferias da cidade.  Em grande parte, os das zonas sul e leste. Por serem mais distantes do centro e terem uma demanda maior fica difícil fazer uma rota que possa atender à todos. Com o emprego de vans, esse problema pode ser resolvido. Entretanto, os mais lesados são moradores das favelas: as ruas estreitas impossibilitam a entrada da van. As vezes o cidadão mora no topo do morro, precisa de alguém para carrega-lo e não tem. É uma situação delicada que necessita de um atendimento especial. Infelizmente, não temos estrutura para esse tipo de atendimento. Assim, a pessoa fica sem o serviço.

Tem algum outro programa de transportes para deficientes? 
Na prefeitura, não. Nós temos um sistema de táxi, que é administrado pelo Atende. O táxi é somente para consultas médicas que os percursos são longos. O usuário tem que informar com até 20 dias de antecedência o horário e local da consulta. Assim, ao invés de usar uma van, a gente manda um carro adaptado para deficientes. O Estado tem o Ligado, um programa semelhante ao Atende. 

Quais são os tipos de deficiência que mais necessitam de atendimento especial com o transporte, e quais mais usufruem do Atende?   
Os deficientes físicos são quem mais necessitam. Os cadeirantes são os que mais utilizamAs pessoas que utilizam muletas axilares, por exemplo, abdicam do programa porque conseguem usar os meios de transportes mais comuns(ônibus e metrô), com mais dificuldade, é claro.    

De que maneira os deficientes são mais prejudicados, em relação ao transporte?   
Com a falta de respeitoA impunidade e a negligência dos  motoristas de ônibus que não param no ponto para atender deficientes é um dos casos. O sujeito precisa ir até um hospital, uma clínica, até mesmo à casa de um parente ou um parque e não consegue O deficiente acaba sendo obrigado à ficar confinado em casa porque não tem um meio de transporte que possa lhe servir. É um grande absurdo e uma falta de respeito por parte dos funcionários e dos administradores. Outro ponto é a falta de investimento por parte do Governo.
  
Como você enxerga a ação do Estado em ajudar essas pessoas?  
É necessário uma ação mais intensa para amparar os PcD's. Investir em acessibilidade nas cidades para locomoção; consertar calçadas, têm muitos caso de cadeiras que viram por causa dos declínios e buracos; intensificar a fiscalização e aplicar multas mais severas à quem infringir a lei, estacionar em vagas de deficientes, por exemplo. Elaborar um regulamento que obrigue estabelecimentos públicos e privados à adaptar o acesso para deficientes, como cinema, teatro, restaurantes, escolas etc. Aliás, existe um aplicativo para smartphones que indica locais com acessibilidade para deficientes. É indispensável com a estrutura que temos na maioria dos locais em São Paulo, mas não deveria ser necessário em cidade alguma. O Governo deveria olhar mais para a gente.

Como profissional da área e sendo deficiente físico, o que você acha que mais falta para o portador de necessidades especiais? 
O deficiente precisa de respeito! O Governo deveria trabalhar mais pelos deficientes. No Atende mesmo, a gente deixa de atender muitas pessoas por conta da falta de vans. É negligência. As calçadas são irregulares, a acessibilidade para o deficiente é precária. Tem que haver um mudança. As pessoas precisam parar com essa cultura do desrespeito, também. É muito mais difícil a locomoção para a gente. Além de utilizar cadeiras de rodas, os deficientes são obrigados a ouvirem que cadeiras atrapalham e ocupam espaço, como em calçadas e elevadores. Educação e respeito. Isso que mais falta!





4 comentários:

  1. Algumas observações:

    - Por que aspas no título? Mesmo que seja uma frase do entrevistado, é muito clichê.
    - Este texto centralizado é um olho? Se for, ele está longo demais. Seu grupo definiu os textos com ou sem olho? Alguns colocaram e outros não. Padronizar.
    - "sair á lazer". Frase sem sentido. Se fizesse, seria à e não á.
    - "45 minutos antes ou depois do horário solicitado". Depois? Explicar melhor.
    - Coloque a foto no início do texto.
    - Gostei da colocação do link para o Ligado e também o áudio no final.

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