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segunda-feira, 17 de abril de 2017

Como chega a Mídia?


Gabriel Di Pierro é um assessor de juventude na ONG Ação Educativa, na entrevista conta sua experiência na área e qual seu maior propósito de trabalho com os jovens, conta sobre dificuldade que ocorre com adolescentes em conhecer as ONGS e as suas mobilidades.

O Transporte Público é amplo, Hoje o brasileiro tem facilidade de se locomover com gratuidade com os  programas do governo, as pessoas com deficiência física, intelectual, auditiva ou visual comprovadamente carentes, tem o acesso a este beneficio. 
O que mais preocupa é a gratuidade dos Jovens, Hoje este acesso é somente oferecido a adolescentes que estudam a outra parte que não estuda ou jovens  mães e teve que parar de estudar, acaba não obtendo a gratuidade



A Seguir Gabriel conta sua experiência:
Gabriel Di Pierro (Assessor de Juventude)



O que trata a ONG Ação educativa?
R: Ação educativa ela é uma ONG de promoção de direitos que foca direitos educativos, culturais e da juventude, né.

Qual é sua função como Assessor de Juventude na ação educativa?
R:
Eu sou da área de juventude e basicamente eu faço projetos de formação, Falo sobre politica que tem haver com a juventude, Publicações, fazemos atipulações  de jovens para conhecimento em politica publica e questões relacionadas a juventude, Eu fiz um caderno temático de juventude  e mobilidade.

A não locomoção de jovens a conhecer ONGS, Você acredita que isso prejudica eles há não conhecer por não ter condições financeiras para pagar a passagem?
R: Boa parte dos jovens que a gente trabalha por morarem em lugares periféricos não tem condições de custear o transporte, Alguns quando estão em escolas no ensino médio eles ainda ganham a gratuidade no transporte né, e isto ganha mais facilidade mas no geral quando envolve deslocamento a primeira questão é a gente da um giro de custo para realizar este deslocamento porque muitos deles não tem dinheiro pra fazer isso.


 Já foi feito algum projeto pelo ONG para o deslocamento de Jovens?
R:
A gente já fez projetos no bairro, por exemplo, em São Matheus Sapopemba  mas a gente mesmo quando fez esta experiência acabou retornando pra fazer formações aqui na Ação Educativa, por que a  gente percebeu que eles tem ganho muito grande pra pode se deslocar da cidade, Mas muitos deles não tem uma pratica de fazer deslocamento ate o centro então no começo encontram muita dificuldades ou ate a gente começa a falar com pai conversar  com familiares, incentivando os pais a permitir a vinda dos jovens.


Qual a experiência dos jovens quando eles chegam na ação educativa?

R: A gente percebe que quando eles vem  pra cá eles acabam tendo uma pratica de autonomia, aproveitam muitas vezes de ir em outros espaços aqui da região central, aproveitam para ir para a Galeria do Rock, Ou Para estudar na Biblioteca Mario de Andrade, e acabam utilizando essa possibilidade de deslocar.

 A Gratuidade, O passe livre é apenas beneficiados para quem estuda. Na ONG
Tem alunos que não estudam e utilizam a gratuidade?


Tem, Tem sim! Muitos dos jovens que estão no ensino médio, Trabalhamos com jovens que já concluiriam o ensino médio e eventualmente trabalhamos com jovens que saíram do ensino médio em algum momento. E ai é isso!

Qual seria a mudança para mobilidade de jovens terem direito ao transporte hoje no Brasil, Sem ter acesso a escola?
R:
Primeiro essa proposta do Governo Haddad da gratuidade pro estudante acho que é um erro porque ainda olha a juventude a partir da juventude estudante, Você tem uma grande parte dos jovens que não estudam Então esses jovens que não estudam se privam de ter acesso a saúde e outros meios.

"O deficiente precisa de respeito"

 Além de problemas, como as calçadas em condições ruins; falta de  guias rebaixadas; estabelecimentos sem acessibilidade, muitos deficientes não possuem acesso à um meio de transporte. 


  A Prefeitura de São Paulo tem um programa que tenta mudar a situação da locomoção dos PcD's(pessoas com deficiência). O programa Atende é uma modalidade de transporte porta a porta  destinado à deficientes com grau mais severo de dependência. Os portadores de necessidades especiais cadastrados no programa precisam fazer tratamentos, estudar e, até mesmo, sair à lazer aos fins de semana. Para isso, o Atende disponibiliza vans adaptadas para buscá-los  em casa e levá-los ao destino.  

  Mesmo com esse serviço, muitos deficientes ficam sem um meio de transporte para suprir suas necessidades. Para explicar a situação do acesso dos deficientes ao transporte e alguns pontos do programa da prefeitura, o Mídia Jovem procurou um especialista na área. João Nelson Mendonça, 58 anos,  trabalha há 36 anos na SPTrans e está há doze anos no comando da programação do Atende. Ele nos concedeu uma entrevista para elucidar algumas dúvidas. 

João Nelson Mendonça, 58 anos, deficiente físico e supervisor de programação do Atende, em entrevista ao Mídia Jovem. Foto: Dodô Oliveira

Mídia Jovem: Qual a demanda de usuários que utilizam o Atende?   
João Nelson: Nós temos 500  vans  para atender por volta de 5 mil usuários cadastrados.  

Qual o procedimento para se cadastrar no Programa?  
O deficiente precisa de um laudo médico e fazer o requerimento na subprefeitura. Na solicitação deve conter a programação com os horários  de entrada e saída dos  locais  que o requerente necessita; hospitais e escolas, por exemplo.  A van do Atende pode buscar e levar os usuários 45 minutos  antes ou depois do horário solicitado, depende do itinerário do dia.  

Quais os tipos de deficiência que não se enquadram no regulamento do Serviço?  
Somente as pessoas com deficiência visual monocular não podem se cadastrar no Atende. 

Existe algum programa dedicado somente à um tipo de deficiência?  
Nós temos  um carro especial para autistas, que necessitam de um responsável para acompanhá-los. Os usuários que fazem tratamento de  hemodiálise também têm prioridade; não podem de forma alguma ficar sem o atendimento. Mas um serviço somente para um tipo de deficiência, não. 

Qual a margem de pessoas não atendidas e quem são os mais prejudicados 
Já são 1300 pessoas na fila de espera do serviço. As vezes eles reclamam que viram um carro próximo à casa deles, mas não o atendeu. Isso acontece por conta da falta de vans ou por lotação. Teremos que atender 100% dos cadastrados até junho deste ano. Para isso, precisamos de investimento em vans. Os  prejudicados são as pessoas que moram nos extremos das periferias da cidade.  Em grande parte, os das zonas sul e leste. Por serem mais distantes do centro e terem uma demanda maior fica difícil fazer uma rota que possa atender à todos. Com o emprego de vans, esse problema pode ser resolvido. Entretanto, os mais lesados são moradores das favelas: as ruas estreitas impossibilitam a entrada da van. As vezes o cidadão mora no topo do morro, precisa de alguém para carrega-lo e não tem. É uma situação delicada que necessita de um atendimento especial. Infelizmente, não temos estrutura para esse tipo de atendimento. Assim, a pessoa fica sem o serviço.

Tem algum outro programa de transportes para deficientes? 
Na prefeitura, não. Nós temos um sistema de táxi, que é administrado pelo Atende. O táxi é somente para consultas médicas que os percursos são longos. O usuário tem que informar com até 20 dias de antecedência o horário e local da consulta. Assim, ao invés de usar uma van, a gente manda um carro adaptado para deficientes. O Estado tem o Ligado, um programa semelhante ao Atende. 

Quais são os tipos de deficiência que mais necessitam de atendimento especial com o transporte, e quais mais usufruem do Atende?   
Os deficientes físicos são quem mais necessitam. Os cadeirantes são os que mais utilizamAs pessoas que utilizam muletas axilares, por exemplo, abdicam do programa porque conseguem usar os meios de transportes mais comuns(ônibus e metrô), com mais dificuldade, é claro.    

De que maneira os deficientes são mais prejudicados, em relação ao transporte?   
Com a falta de respeitoA impunidade e a negligência dos  motoristas de ônibus que não param no ponto para atender deficientes é um dos casos. O sujeito precisa ir até um hospital, uma clínica, até mesmo à casa de um parente ou um parque e não consegue O deficiente acaba sendo obrigado à ficar confinado em casa porque não tem um meio de transporte que possa lhe servir. É um grande absurdo e uma falta de respeito por parte dos funcionários e dos administradores. Outro ponto é a falta de investimento por parte do Governo.
  
Como você enxerga a ação do Estado em ajudar essas pessoas?  
É necessário uma ação mais intensa para amparar os PcD's. Investir em acessibilidade nas cidades para locomoção; consertar calçadas, têm muitos caso de cadeiras que viram por causa dos declínios e buracos; intensificar a fiscalização e aplicar multas mais severas à quem infringir a lei, estacionar em vagas de deficientes, por exemplo. Elaborar um regulamento que obrigue estabelecimentos públicos e privados à adaptar o acesso para deficientes, como cinema, teatro, restaurantes, escolas etc. Aliás, existe um aplicativo para smartphones que indica locais com acessibilidade para deficientes. É indispensável com a estrutura que temos na maioria dos locais em São Paulo, mas não deveria ser necessário em cidade alguma. O Governo deveria olhar mais para a gente.

Como profissional da área e sendo deficiente físico, o que você acha que mais falta para o portador de necessidades especiais? 
O deficiente precisa de respeito! O Governo deveria trabalhar mais pelos deficientes. No Atende mesmo, a gente deixa de atender muitas pessoas por conta da falta de vans. É negligência. As calçadas são irregulares, a acessibilidade para o deficiente é precária. Tem que haver um mudança. As pessoas precisam parar com essa cultura do desrespeito, também. É muito mais difícil a locomoção para a gente. Além de utilizar cadeiras de rodas, os deficientes são obrigados a ouvirem que cadeiras atrapalham e ocupam espaço, como em calçadas e elevadores. Educação e respeito. Isso que mais falta!





    Mulheres e transporte, sobre a visão de um francês

 Charles Henry Calfat o criador do aplicativo FemiTáxi operando desde 2016, fala sobre a ideia de fazer um aplicativo que conta apenas com motoristas e passageiras mulheres. A iniciativa tem como premissa a questão do assédio no transporte público em São Paulo.





Mídia Jovem: Como surgiu a ideia do aplicativo?
Charles Henry: Então há dois, três anos atrás eu tinha umas amigas, que vinham em casa e elas me falavam que os motoristas olhavam pras pernas delas, faziam perguntas se tem namorado, olhava no espelho enfim nada de grave mas comportamentos que não são profissionais. Então eu vi isso várias vezes ai eu falei pra elas: “Imagina se a gente fizesse um aplicativo pra conectar  taxistas mulheres com clientes mulheres?” Gostaram muito da ideia só que  na época eu não tinha experiência com tecnologia. E ha oito meses atrás  tinha muito problema falando de assédio no transporte publico, no metro e falei:”sabe o que? Vamos lançar o Femitaxi!”.

O transporte público hoje em dia tem campanhas no metrô sobre o assédio, qual sua visão sobre o transporte publico em SP atualmente?Acha ele esta preparado?
Eu sou francês então pra mim tudo que eu vejo de público no Brasil eu tenho muita critica. Por exemplo, na França em Paris qualquer lugar que você ta tem um metro a 10 minutos a pé, aonde eu moro  eu estou esperando metrô há 7 anos. O metrô aqui é muito bonito, lá em Paris é feio tem cheiro muito ruim, mas pelo menos ele é eficiente e funciona,tem muitos problemas que SP precisa melhorar pra ter mais eficiências no transporte, por enquanto ta péssimo. Só que se você mora na Paulista e mora na Vergueiro o transporte público tá ótimo e como todo lugar no mundo tem esse problema.Com educação não é todos os homens que praticam esse tipo de comportamento, mas a mulher não precisa ter vergonha quando acontecer alguma coisa é falar: ”olha não faz isso” é meio complicado porque as vezes a pessoa é vítima de assédio e ela tem um comportamento de não alertar as outras pessoas e as outras pessoas as vezes não sabem que ta tendo algum problema, mas gente ruim sempre vai ter e tem que punir bem pra mostrar que não é assim que funciona.

Além das passageiras, as motoristas já relataram algum caso de assédio ou discriminação em meio de transporte?
Das taxistas muitas me falaram que já receberam propostas de prostituição, dinheiro contra sexo.E já teve até de uma pessoa pegar ela pelo pescoço uma taxista lá em Belo Horizonte, essas coisas acontecem por isso elas preferem trabalhar num aplicativo só com mulheres.

Você disse em uma matéria publicada pelo Estadão em Março deste ano que o APP teve 10 mil downloads, você considera esse número um pedido de socorro pelas mulheres?
Olha se não tivesse problema de assédio em São Paulo, Belo Horizonte e no Rio de Janeiro eu acho que a gente não teria 15 mil downloads em 4 meses e a gente vai dobrar esse número abrindo para o RJ. A gente saiu em matérias no mundo inteiro tem gente querendo abrir o FemiTáxi no Chile,na Argentina, no Equador porque essas mulheres nessas regiões também sofrem assédio e elas querem um serviço Do tipo Femitáxi.
Tem gente machista que diz que o app é ruim e não sei o que. Porque o machista ele pensa que a mulher ta reclamando, ta fazendo “MI MI MI” se fosse “MI MI MI” não ia ter 15 mil downloads só pra duas cidades em 3 meses.

 Em sua opinião aplicativos exclusivos de transporte para mulheres tem força pra crescer?
Eu acho que sim. A cada assédio a cada agressão contra mulher... tipo eu não acho isso legal, por exemplo há um mês e meio atrás teve uma mulher que foi sequestrada  pedindo um app muito famoso.Então no mesmo dia tinha uma matéria do Femitaxi na home do UOL junto com a matéria [do outro aplicativo].E veio um monte de cliente nova com esse acontecimento que teve com o outro app.

Já teve conhecimento de algum caso de violência contra uma mulher?
Uma amiga numa saída de balada quebrou o sapato tava esperando pra pegar um táxi e ai uns caras chegaram pra conversar, o cara fez um comentário ela respondeu de volta e um cara deu um tapa nela, outro com a mão aberta o que não muda nada. E aí ela ficou muito brava porque depois de baterem nela eles começaram a gravar e os caras dando risadas. É muito fácil você  provoca a pessoa e grava depois.Isso é só pra mostrar um caso que reflete bem os problemas que no Brasil se tem tantos crimes que as vezes você vai na delegacia e fala:”Olha o cara me chamou de p*” tipo não é tão levado a sério.

Como você vê daqui a alguns anos essa questão do transporte?
Eu acho que vai melhorar porque quanto mais expõe o problema mais as coisas melhoram, porque o pessoal pode debater, ver como melhorar e aí precisa de umas leis mais severas também.